Data: 01/12/2021 14:51 / Autor: Redação / Fonte: Cia Quase Cinema

Floresta Que Habita em Nós traz experiência sensorial em busca da reconexão com a natureza

Cia Quase Cinema realiza espetáculo no dia 3 de dezembro


A Floresta Que Habita em Nós é o novo espetáculo da Cia Quase Cinema criado durante o período de isolamento social na pandemia a partir de conversas e encontros virtuais com representantes dos povos da floresta, artistas e antropólogos. É um convite, um alerta, um chamado...

Dois dos principais males de nosso tempo como a privação do sono e a falta de cuidado com a natureza levantados pelo ambientalista indígena Kaká Werá Jecupé nos leva à incapacidade de compreensão das consequências dos nossos atos.

Você tem sonho?  “E quando o canto da maritaca se calar e as onças não tiverem o que comer. E quando a terra morrer e as sementes não germinarem. E quando os rios secarem e o cheiro da morte dominar. Não haverá poesia, nem cores, nem música.  Antes que seja tarde demais, vamos sonhar com as flores, falar com os pássaros, brincar com os peixes, ouvir nossos ancestrais e celebrar a vida” reflete o diretor da Cia, Ronaldo Robles.

Para os indígenas os sonhos são os meios de validação de suas hipóteses sobre o mundo e segundo as sabedorias antigas os portais para os quatro estados de consciência: a consciência dorme no reino mineral, sonha no reino vegetal, acorda no reino animal e desperta no reino humano.

Agora, o antes performativo, aponta possíveis caminhos para dialogar com uma sociedade fragmentada, imediatista, pós-pandêmica, alijada de direitos e desejos inerentes à natureza humana. O caminho possível. Aqui, agora o leitmotiv está nas mudas de plantas que remetem à floresta em estado bruto, potente, viva, que remete ao que ainda respira dentro de nós. A floresta que habita em nós. Em detalhes, cores, formas, sensações, sons e imagens.

“É preciso que a gente se reconecte com nossa essência, e através da arte, da espiritualidade, dos cantos, que a gente se conecte novamente com a terra. Plantar, diminuir o lixo, buscar uma forma de vida mais simples, buscar outras formas de troca baseadas em outras sabedorias. É pela reconexão com a terra que podemos buscar um caminho de cura. O sopro da vida existe em cada um de nós”, afirmou a ativista indígena e artista Naiara Tukano em recente entrevista. “A floresta existe em cada um de nós, basta procurar dentro, finaliza Silvia Godoy, diretora da Cia.

Este espetáculo também pegou o caminho aberto pelo Chico Mendes e todos aqueles que lutam para preservar a vida. “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.” — Chico Mendes

Cia Quase Cinema

A Cia Quase Cinema da cidade de Taubaté foi fundada em 2004, nasceu do encontro de diferentes linguagens artísticas; artes cênicas, artes plásticas, cinema, performance e dança. O grupo é formado pelo núcleo com os diretores Ronaldo Robles e Silvia Godoy e artistas colaboradores; Rafael Soares, Maike Marques, Walace Puosso, Rafael de Paula, Charles Kray, Natalia Machiaveli e Mano Bap.

 O teatro de sombras surge como possibilidade de expressão que dialoga com o cinema no campo das artes cênicas, é uma arte milenar que encanta adultos e crianças.  Nossa pesquisa não tem como referência o tradicional teatro de sombras chinês, porque nosso diálogo é com a linguagem cinematográfica e sua técnica de composição de imagem, close, travelling e edição, tratamos o espaço cênico como elemento complexo e a cidade como parte da obra. Trabalhamos com camadas sobrepostas e todos os elementos são revelados sem hierarquia, tudo está em cena e tem a mesma potência narrativa e simbólica. As imagens provocam a memória adormecida através dos sentidos da visão e audição. Levamos as sombras do teatro para as ruas e a arquitetura que encontramos em diferentes lugares se apresentam como site specific. Pesquisamos um teatro de imagens em movimento que intervém no fluxo da cidade, no cotidiano dos habitantes e transforma o ambiente convidando o espectador a experimentar uma diferente poética espacial.

FILIAÇÕES ESTÉTICAS

O nome Quase Cinema é emprestado de um conceito criado pelo artista Hélio Oiticica, o nome da companhia é uma homenagem em memória ao artista. O conceito trata do cinema de artista que une duas linguagens: artes plásticas e cinema.

Ainda como referência importante que atravessa nosso processo: os parangolés, cosmococas e os penetráveis do artista são obras emblemáticas que permitem pensar o espaço como lugar da poesia da imagem.

Interessa-nos o labirinto, a complexidade, o mito da caverna, a interdisciplinaridade, os conceitos que trazem a potência das imagens simbólicas e o devir.

O teatro de Tadeusz Kantor, a arte cinética, o expressionismo alemão, o cinema Noir, as intervenções urbanas, a pesquisa dos performers Renato Cohen e Otávio Donasci, as animações de Lotte Reiniger e os grafites que colorem a cidade também atravessam nossa estética. A teoria da complexidade e do caos tratada pelo Prof. Jorge de Albulquerque Vieira, o Seitai Ho difundido pelo professor Toshi Tanaka e o budismo atravessam nosso fazer artístico pois unimos arte, ciência e vida numa única experiência lúdica e imagética das sombras.

O termo teatro de sombras nos parece estranho, como se fosse uma roupa que não entra no corpo. Buscamos nestes 18 anos de pesquisa contínua um termo que contemple nossa aventura no campo das artes cênicas.

Projeto contemplado pelo prêmio PROAC Aldir Blanc histórico de realização

Apresentações inéditas de estreia:

Dia 03 .12 - Comunidade de Heliópolis às 19h30 -rua Santa Angela de Merici, n• 10 – viela, casa 32- próximo ao CINEFAVELA - São Paulo

Dia 04.12 –  -Biblioteca Nelson Ferreira Pinto Endereço: Rua Cônego Costa

Bueno n°4 (espaço externo localizado ao lado da Igreja Matriz)

Horário: 20h - São Luiz do Paraitinga

Dia 05.12 – Sítio do Pica Pau Amarelo às 19h30 - Av. Monteiro Lobato, s/n - Chácara do Visconde - Taubaté

Uso obrigatório de máscaras em todas as apresentações

Classificação livre para todos os públicos

Crédito: Divulgação

Comente aqui